Uso Sustentável dos nossos oceanos – Fazendo as ideias funcionarem

Hoje escrevo um pouco sobre sustentabilidade e o mundo que vivemos como sociedade. Para iniciar, o que escrevo é baseado em estudos e pesquisa que aprimoro e, as experiencias que vivi.

Ao longo das minhas próximas postagens, vou abordar temas sobre sustentabilidade, os serviços gerados pelos oceanos, política e o que esperar para o futuro.

Espero que gostem do que estou montando e que possamos aprender juntos a respeito dos assuntos mencionados.

Boa Leitura!

Princípios para um

mundo melhor

Alguns dos maiores desafios atuais resultam da crescente complexidade, a interconexão e ligações em todo o mundo: como a integração de instituições financeiras internacionais, mercados sociais e a interdependência econômica das sociedades de consumidores e produtores. Em um mundo globalizado, compreender tudo o que acontece na política, na economia e na cultura tornou-se uma tarefa cada vez mais difícil.

Isso se aplica aos nossos oceanos. Nas últimas décadas, se aprendeu, por exemplo, que processos químicos, biológicos e físicos no ambiente marinho influenciam um ao outro e não pode ser visto isoladamente, exigindo uma abordagem mais integrada à nossa interpretação dos dados científicos e mostrando que não existem respostas simples para a multiplicidade de perguntas que surgem na pesquisa marinha moderna. De fato, à medida que se reconhece cada vez mais que vale a pena proteger os ecossistemas marinhos, muitas questões surgem junto com expectativas. Devemos começar, portanto, prestando atenção nas finalidades: estabelecendo clareza sobre os conceitos e terminologias e, como comunicá-los para um público mais amplo sobre os princípios fundamentais que norteiam ações de quem trabalha nesta área.

Nesse artigo, vou abordar o conceito de sustentabilidade, como e por que é frequentemente usado e as ações no presente e futuro. No mundo cada vez mais complexo e globalizado, a voz de formuladores de políticas, agindo em nome do público como fonte de sua legitimação, e além, nós como os próprios cidadãos devemos tomar responsabilidade perante atitudes individuais. Espero que esta revisão traga acolhimento e estimativa de responsabilidade para assim, levar a proteção de nossos mares um pouco mais perto de todos.

Três Pilares

No modelo clássico de três pilares, o meio ambiente, a economia e a sociedade são representadas como três colunas de igual estatura apoiando a sustentabilidade. O objetivo deste modelo, desenvolvido no final de década de 1990, era para abrir o caminho para o desenvolvimento sustentável. Sua suposição pressuposta é que as preocupações econômicas, sociais e ambientais são interconectadas e formam um todo indivisível para fins de desenvolvimento sustentável. Para ressaltar a grande importância do ambiente, neste esquema, é representado uma “fundação”, formada por dois fatores: recursos naturais e clima. Descansando nessa base estão a economia, a sociedade e – uma nova adição – cultura.  No entanto, recentemente, inúmeras outras modificações do modelo de três pilares foram desenvolvidas. Uma crítica levantada é que a versão clássica mostra o ambiente, a economia e a sociedade como tendo posição igual, mas não faz disso uma realidade. Mesmo agora, os críticos apontam que, em muitos casos, as preocupações econômicas ainda têm precedência sobre aspectos ambientais ou sociais.

O conceito de “sustentabilidade” vem da silvicultura e originalmente significava algo como: usar os recursos naturais com atenção para que o suprimento nunca acabe. Hoje, no entanto, o conceito está mal definido; primeiro porque existem várias teorias de sustentabilidade e segundo porque a palavra passou para uso do aumento excessivo. Por essa razão, os cientistas agora debatem o que é realmente significa “sustentabilidade” e procura formular diretrizes concretas para uma vida sustentável e a atividade econômica.

Sustentabilidade – um conceito difícil de definir

Apesar de todas as suas conotações positivas, hoje em dia este conceito é tão amplamente contemplado que o torna indefinido e vazio. Diante do desmatamento maciço causado pela demanda por lenha para fundição de metais, no século XVIII, Hans Carl von Carlowitz (que cunhou o nome “Sustentabilidade” em Freiberga, Alemanha), pediu o “uso contínuo, duradouro e sustentável” da floresta. Mas o conceito só se tornou conhecido na década de 1980 com a publicação do relatório da Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento (WCED). Em resposta à crescente degradação ambiental, o WCED definiu vários objetivos principais de sustentabilidade que incluía reduzir a pobreza, estimular o crescimento econômico nos países em desenvolvimento e proteger o meio ambiente.

No entanto, o relatório carecia de um modelo claro de como alcançar a sustentabilidade. Certamente, o modelo dos “três pilares”, que prevê a sustentabilidade suportada no apoio ao meio ambiente, economia e sociedade, foi derivado do relatório do WCED, mas também ficou claro que esses aspectos não são tratados como iguais em status. Até agora, os interesses econômicos tendiam a ser uma prioridade mais alta que a proteção ambiental. Uma pré-condição importante para o desenvolvimento sustentável é o que é realmente considerado digno de proteção, sendo claramente definido. Nesse contexto, os especialistas fazem uso do conceito de capital natural. Isso inclui todos os estoques de ativos naturais, por exemplo, o solo ou o oceano, que dão origem a produtos e serviços naturais, como ar fresco ou o consumo sustentável forte e fraco.

Podemos exemplificar a fraca sustentabilidade como na interferência em modificações em áreas como rios que estão biologicamente mortos devido à poluição, e que podem ser modificado por um novo modelo. A função recreativa do banho no rio, por exemplo, pode ser substituída pela construção de piscinas; ou, obtenção de água potável não puramente de águas subterrâneas, mas alternativamente, da água do mar dessalinizada; ou substituindo a qualidade estética das paisagens naturais por mundos artificiais.

O que é Capital Natural?

É um termo que designa o estoque de recursos naturais renováveis e não renováveis na terra. Por exemplo, o ar, as plantas, os animais, a água, os solos, os minerais etc. Foi chamado de capital natural quando se compreendeu que esses elementos são essenciais para as atividades econômicas, e os recursos financeiros, assim também como para os seres vivos. É um modo de justificar a conservação do capital natural para tomadores de decisão.

Uma demonstração pode ser feita em benefício dos mangues próximos à cidade de Kampala, capital de Uganda, onde se mostrou que conservar o ecossistema era mais vantajoso do que usar as áreas para o cultivo agrícola. Os mangues agem como um tratamento natural do esgoto, economizando recursos em saneamento. E além, são uma barreira natural em caso de avanço no nível do mar. Adicionalmente, também há o seu valor como berçário e fonte de alimentos para a fauna marinha – o que tem grande valor, inclusive econômico, para o setor de pescados.

Sendo assim, para chamar atenção para a importância dos bens naturais, Kampala lançou mão das mesmas expressões usadas do modelo econômico e político dominante no mundo. Combinados entre si, esses bens naturais prestam serviços que são chamados de ecossistêmicos. Por exemplo, o equilíbrio no regime de chuvas, a vegetação natural que oferta água limpa, a polinização feita pelos animais, a captura de CO2 que ajuda na regulação do clima, as florestas que protegem os solos e as encostas contra a erosão…

E como tudo isso se relaciona com o mundo dos negócios? Todas as atividades empresariais dependem direta ou indiretamente do capital natural. Como toda a atividade empresarial provoca impactos no ambiente e na sociedade, é preciso conhecê-los, para administrar os riscos e enxergar oportunidades para os negócios.

Os impactos podem ser positivos (investimento na restauração local ou na melhoria da qualidade da água, do solo e da superfície…) ou negativos (emissão de poluentes, geração de resíduos, consumo excessivo de água, emissão de efluentes…).

Por esse motivo, várias medidas de conservação são frequentemente pesadas entre si nas análises de custo-benefício. Mas, embora os custos possam ser estabelecidos com facilidade, os benefícios de muitos serviços do ecossistema são bastante difíceis de quantificar. Para ter alguns meios de avaliar o valor econômico de um serviço de ecossistema, no entanto, os especialistas definiram diferentes categorias de valor. Alguns deles surgem do uso do capital natural e outros da sua mera existência, tendo um valor intríseco, pelos habitats ou seres que ali habitam.

Como princípio básico, os cientistas aconselham priorizar a proteção do capital natural crítico e dos serviços ecossistêmicos, o que significa todos aqueles que são existencialmente essenciais. É cada vez mais importante que as empresas tenham consciência de que são parte integrante do mundo e não consumidoras do mundo. O reconhecimento de que os recursos naturais são finitos e de que nós dependemos destes para a sobrevivência humana, para a conservação da diversidade biológica e para o próprio crescimento econômico é fundamental para o desenvolvimento sustentável, o qual sugere a utilização dos recursos naturais com qualidade e não em quantidade.

Vendedora de Pescado, Sal Rei, Cabo Verde

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento sustentável

Em setembro de 2015, todos os 193 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) adotaram o documento Transformando o nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, como plano de ação para promover a prosperidade, proteger o planeta e garantir a dignidade e a igualdade entre as pessoas. Os países comprometeram-se a tomar medidas firmes e transformadoras para estimular o desenvolvimento sustentável nos próximos anos sem deixar ninguém para trás.

A Agenda 2030 é um plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade, que busca fortalecer a paz universal. O plano indica 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS, e 169 metas, para erradicar a pobreza e promover vida digna para todos, dentro dos limites do planeta. São objetivos e metas claras, para que todos os países adotem de acordo com suas próprias prioridades e atuem no espírito de uma parceria global que orienta as escolhas necessárias para melhorar a vida das pessoas, agora e no futuro.

Objetivo 14: Vida na Água

Esta agenda tem como objetivo conservar e promover o uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento adequado daqueles que usam seus recursos ecossistêmicos.

Nossa vida como humanas só é possível por meio da provisão de segurança alimentar, transporte, fornecimento de energia, turismo, dentre outros, e os oceanos fornecem tudo isto para todos. Além, os oceanos representam aproximadamente US$ 3 trilhões da economia global por ano, ou 5% do PIB global. (Fonte: agenda2030.org.br)

Já sabemos que os oceanos estão sendo afetados por atividades humanas, como poluição e pesca predatória, o que resulta, principalmente, em perda de habitat, introdução de espécies invasoras e acidificação. Nosso lixo também ajuda na degradação dos oceanos – há 13.000 pedaços de lixo plástico em cada quilômetro quadrado. São com estes desafios que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável indicam metas para gerenciar e proteger a vida na água.

Nas metas do Objetivo 14 estão:

  • Prevenir e reduzir a poluição marinha
  • Minimizar a acidificação dos oceanos
  • Proporcionar melhor qualidade de vida e de pesca para pescadores artesanais
  • Regular e proibir sobrepesca e pescas destrutivas
  • Conservar pelo menos 10% das zonas costeiras e marinhas
  • Aumentar o conhecimento cientifico
  • Desenvolver capacidade de pesquisa científica e tecnologia para melhorar a saude dos oceanos
  • Aumentar a biodiversidade marinha para melhorar o desenvolvimento dos países

Na próxima publicação, vou especificar mais a fundo sobre o objetivo 14 da agenda 2030, acerca das metas que já foram alcançadas ao longo destes 5 anos que passaram, quais são os proximo desafios que teremos que enfrentar, o que nós como cidadãos podemos colaborar, o que esperar para o futuro através da situação atual que vivemos, e perspectivas de quem trabalha na área.

Enquanto isso, feliz Dia Mundial da Biodiversidade! O que acharam dos assuntos abordados? Fiquem firmes por aí,

até já.

GF

Fontes: WWF; WOR; Agenda2030; Nações Unidas; CEBDS.

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